Juliana Lobo. 22 anos, Maricá - RJ


Sexta-feira, Junho 02, 2006

Minha canção.

Diga-me que o sol se move de acordo com a minha vontade, dê-me palavras doces embrulhadas num papel de presente, sussurre segredos no meu ouvido, ou apenas seja quem você deve ser.

Não peço nada além do que já tive, não quero nada do que já não quis, não desejo o que não posso alcançar e não me dou ao luxo de te ferir (se você não propuser).

Não sou a dama que pensas que sou, quando me ajeito na cama, as pernas ficam entreabertas, meu olhar de choro não existe e a frieza das minhas palavras não lhe atingem mais. Perplexo? Não deveria.

Olho para os lados e sinto desejos, não me orgulho de ser o que eu sou, mas é tudo que posso ser. Acaricie os meus cabelos, dê-me um beijo e me faça adormecer... lentamente.

Repreenda-me com carinho, segure as rédeas da relação, mas não me deixe perceber, não se esqueça, sou auto-suficiente demais para deixar-me dominar.

Ame-me como nunca amou ninguém e faça-me perceber isso. Não me trate com indiferença, não me faça sentir menor do que já sinto que sou, não me deixe pensar que sou substituível... Porque não sou. Ame-me incondicionalmente, nem que finja, nem que disfarce, apenas não permita que passe pela minha cabeça que não sou mais importante pra você, ou que nunca fui.

Assim, quando olhar para os lados e sentir desejos, eu pensarei em ti.
Talvez até diga que te amo.
E não deixe mais as pernas entreabertas, só abertas... Pra você.


Juliana Lobo às 2:05 PM

Tic-Tacs e Cigarros.

Não é tão fácil quanto parece,. Todos os objetos insistem em repetir o seu nome, como o tic-tac de um relógio antigo. Não há distração que tire aquele sussurro da minha alma. É como se todas as cortinas fossem de pedra e quando o vento batesse as paredes seriam inevitavelmente arranhadas.

Queria esquecer você, seu nome, suas lembranças e memórias, queria esquecer que não te levo comigo, que não perco tempo olhando para retratos vazios, que não tropeço nas suas coisas espalhadas. Mas os sussurros ainda estão aqui.

Sussurros que sussurram. Redundantemente sussurram e a consciência dessa redundância se tornara um seco martírio para meus ouvidos.

Caminho até a sacada na tentativa de ter um segundo de paz no trânsito irregular de meus pensamentos e olhando a briga de um casal no edifício à minha frente percebo que os sussurros haviam se calado e dado lugar aos gritos desesperados da minha consciência. Esse casal era o espelho do quarto, o reflexo da janela. Esse casal era a minha saudade.
Saudade da dor? Das brigas? Masoquismo? Como é ridícula a saudade do que na verdade nunca existiu...

Sorri. Acendi o cigarro e debochei da vida. Como é estranho esse tal de amor.

Ah, e é sim, muito fácil, até mais do que realmente parece.


Juliana Lobo às 11:42 AM

Quinta-feira, Junho 01, 2006

Esfinge.

Corei. Minhas bochechas avermelharam por uma pseudo-timidez que nem mesmo eu sabia que existia. Tinha-me feito sentir vergonha, ruborizar como uma criança travessa, até porque era assim mesmo que ele me enxergava: uma criança. O pecado estava ao lado e inconscientemente vendava meus olhos para não ver o desejo óbvio escondido entre risadas e rubores.

Não é nada fácil lidar com tentações quando elas insistem em bater à minha porta e chamar meus olhares ao seu encontro em todos os momentos. Corei como se fosse a primeira vez que isso acontecia, corei como se fosse realmente a criança que ele pensava que eu era. Corei, ruborizei, fiquei vermelha, qualquer expressão que denomine o sangue latejando pelas minhas veias.

Não conheço esse ruborizar, nem essa sensação que ele causa em mim, apenas sinto a timidez invadir e se instalar nos meus olhos baixos e aflitos. Ele leva a experiência de alguns anos a mais e as dores temporárias de paixões infinitas em seus ombros. E eu o observo sem que perceba, na esperança de talvez, quem sabe, aquele cabelo enrolado um dia esteja entre meus dedos.

Quando olha pra mim, coro. Quando me toca sem querer tocar, coro. Quando finge não sentir meu calor, coro. Ruborizo apenas por ser uma criança ao seu ver.

E desviando o olhar, calando-me novamente apenas peço-lhe com uma certa devoção silenciosa: decifra-me.

Porquê mais cedo ou mais tarde ainda vou lhe devorar.


Juliana Lobo às 3:04 PM

anterior próximo